EU E A MANA JUÇARA


Poderíamos ser inimigas, por menos alguns irmãos se odeiam, mas eu e a Nena sempre fomos muito amigas e nos protegíamos.
Ela escondia minhas travessuras pra mamãe não me bater e eu tomava as dores dela na escola e batia nos meninos que mexessem com ela..

Bichinha mole e frouxa tava alí, bateu o pé ela corria, falou mais alto ela começava a tremer, fez cara feia ela chorava.
Eu era bicho ruim, não tinha medo de ninguém nem da mamãe que quando me pegava, descontava o novo e o velho e batia com gosto.
Dava um boi pra não entrar numa briga e dava uma boiada todinha pra não sair dela.

Nena recebe um convite pra trabalhar no Colégio Ida Nelsom em Manaus. Se tu fores comigo eu vou, mas sozinha eu não topo, eramos a carne e o dedo, apesar das enormes diferenças.
Eu estava muito bem em Moreno, mas era uma oportunidade de conhecer o Norte que eu ainda não conhecia e topei...
Vai na frente e encontra um trabalho pra mim e quando tiver tudo certo eu peço a conta da Igreja e uma licença sem vencimento do Estado... E  pico a mula como diz o nordestino...

Assim foi, estava escrito, era Deus traçando minha vida e me guiando como guiava o seu povo no Egito, de dia ele mandava a nuvem me seguir e a noite a coluna de fogo e ninguém me tirou do rumo.
Daí pra frente fui guerrear na cidade de Manaus e lá foi o nosso Egito...

Comentários

Postagens mais visitadas